Sistema embólico líquido PHIL: tudo sobre o produto

Phil (líquido embólico)

Sistema embólico líquido PHIL: tudo sobre o produto

O sistema embólico líquido PHIL é um agente embolizante líquido não aderente, indicado para embolização de lesões neurovasculares e também na vasculatura periférica, incluindo más-formações arteriovenosas e tumores hipervascularizados. Ele é administrado por injeção lenta e controlada através de um microcateter compatível com DMSO, sob controle fluoroscópico. Como o produto possui diferentes formulações (PHIL 25%, 30%, 35% e PHIL LV), entender como funciona, quando considerar cada versão e quais cuidados de segurança entram no checklist do hospital ajuda a padronizar o processo e reduzir riscos operacionais.


O que é o sistema embólico líquido PHIL e para que serve

O PHIL é um agente embolizante líquido composto por um copolímero dissolvido em DMSO (dimetilsulfóxido). Um componente de iodo ligado quimicamente ao copolímero confere radiopacidade para visualização durante a fluoroscopia.

Indicações de uso (visão geral):

  • Embolização de lesões neurovasculares e na vasculatura periférica.

  • Uso em casos que incluem más-formações arteriovenosas e tumores hipervascularizados.

Em termos práticos para o hospital, o PHIL faz parte do conjunto de soluções endovasculares usadas quando a estratégia terapêutica envolve oclusão/embolização seletiva de vasos relacionados à lesão-alvo — sempre dentro de protocolos institucionais e decisão clínica do time responsável.


Como o PHIL funciona

O PHIL é administrado por injeção lenta e controlada através de microcateter, com acompanhamento fluoroscópico. O DMSO (solvente) se dissipa no sangue, levando o copolímero a precipitar in situ, formando um êmbolo coeso.

Um ponto relevante para quem organiza processos e treinamento é o tempo de solidificação: a solidificação final do material ocorre em três minutos, em todas as formulações do produto. Isso influencia:

  • o ritmo de injeção,

  • a gestão de pausas,

  • e a estratégia de retirada do microcateter após o término.


Formulações do PHIL (25/30/35/LV) e como pensar a escolha

O sistema está disponível em PHIL 35%, PHIL 30%, PHIL 25% e PHIL LV (baixa viscosidade). A diferença de viscosidade impacta a capacidade de penetração distal e o controle da injeção.

Recomendações de uso por cenário (visão orientativa do produto)

  • PHIL 35%: recomendado para cenários de fluxo mais elevado e componentes fistulosos maiores.

  • PHIL 30%: recomendado para fluxo moderado a elevado, especialmente quando injeções pediculares são feitas próximo ao nidus.

  • PHIL 25%: recomendado para fluxo mais baixo e quando é necessária uma deslocação mais distal.

  • PHIL LV: recomendado para alcançar vasos distais e penetrar mais profundamente no nidus/má-formação; por ser menos viscoso, recomenda-se o uso de técnica de paragem do fluxo (por exemplo, com cateter de balão) para aumentar o controle da administração.

Quando isso importa na prática

No dia a dia da sala (hemodinâmica/sala endovascular), a “diferença entre versões” vira decisões operacionais como:

  • Quão previsível é o avanço distal do material (especialmente em anatomias complexas).

  • Quão necessário é associar técnica de paragem do fluxo (particularmente com formulações de baixa viscosidade).

  • Como evitar embolização não alvo, que pode estar relacionada à dinâmica de fluxo e à colocação do microcateter.

A mensagem central para TOFU é simples: a formulação conversa com o cenário de fluxo e com a estratégia de controle da injeção, e isso precisa estar alinhado entre médico, enfermagem e suporte técnico do serviço.


O que vem no sistema e compatibilidades importantes (para CME e sala)

O PHIL é apresentado como sistema com seringas pré-cheias e acessórios, variando conforme o modelo. Em linhas gerais, podem existir configurações com:

  • Seringa pré-cheia de PHIL (1 ml)

  • Seringa pré-cheia de DMSO (1 ml) (em apresentações específicas)

  • Adaptador(es) para microcateter (para fazer a interface entre seringa e microcateter)

Além disso, o produto depende de um componente que costuma estar fora da caixa do PHIL, mas é decisivo para o processo: um microcateter compatível com DMSO, indicado para uso neurovascular ou periférico, para alcançar o local-alvo.

Pontos práticos de compatibilidade e materiais:

  • Usar apenas microcateteres compatíveis com DMSO indicados para uso neurovascular ou na vasculatura periférica.

  • Usar as seringas pré-cheias apropriadas para injetar DMSO e PHIL, conforme configuração do sistema.

  • O PHIL é descrito como estéril e apiro-gênico, de uso único (não reutilizar, não reprocessar, não reesterilizar).

  • O produto não é fabricado com látex de borracha natural, PVC ou DEHP.

  • O PHIL é descrito como seguro para RM nas condições indicadas na documentação do produto.

Link técnico do fabricante (1 link): para informações oficiais e atualizadas, consulte as especificações do fabricante aqui: https://www.microvention.com/


Segurança e boas práticas de preparo e injeção no hospital

A embolização para ocluir vasos sanguíneos é descrita como procedimento de alto risco, e o PHIL deve ser utilizado por médicos com formação em intervenções periféricas ou neurológicas e conhecimento profundo de patologia/arquitetura vascular, técnicas angiográficas e de embolização superseletiva.

Contraindicações e quando evitar

O uso é contraindicado, por exemplo, em situações como:

  • alergia grave ao iodo;

  • impossibilidade de colocação ideal do microcateter;

  • teste de provocação indicando intolerância ao procedimento de oclusão;

  • vasoespasmo bloqueando o fluxo sanguíneo;

  • recém-nascidos prematuros (< 1,5 kg) ou indivíduos com comprometimento hepático e renal significativo.

Precauções que valem para protocolo institucional

  • A segurança/eficácia não foram estudadas em algumas populações específicas (ex.: gestantes/lactantes, menores de 18 anos).

  • Pode haver hipersensibilidade tópica/liberação de histaminas associadas ao DMSO.

  • O paciente pode relatar gosto de “alho” e odor no hálito/pele por algumas horas (efeito associado ao DMSO).

  • Deve-se ter cuidado para evitar embolização fora do alvo, especialmente em cenários de alto fluxo que impeçam colocação segura do agente.

Alertas operacionais durante a injeção (o “coração” do treinamento)

  • Posicionar a ponta do microcateter o mais distal e próximo possível da lesão-alvo para reduzir risco de embolização não alvo.

  • Evitar contato do conector com líquidos (salina, sangue, contraste), pois pode ocorrer solidificação prematura.

  • Evitar injeção rápida de DMSO, pois pode levar a vasoespasmo e/ou angionecrose.

  • Monitorar continuamente sob fluoroscopia: suspender se não for possível visualizar o PHIL saindo da ponta do microcateter.

  • Suspender se houver aumento de resistência; identificar a causa (por exemplo, oclusão do lúmen) e trocar microcateter se necessário.

  • Evitar refluxo excessivo: não permitir que mais de 1 cm do PHIL tenha fluxo retrógrado na ponta do microcateter.

  • Evitar pausas prolongadas: não interromper a injeção por mais de três minutos antes de reiniciar, para reduzir risco de solidificação na ponta e oclusão.

  • Ao concluir a injeção, aguardar três minutos, aspirar ligeiramente a seringa e puxar suavemente o microcateter para separá-lo do molde.


Erros comuns e como evitar

1) Usar microcateter não compatível com DMSO

Risco: degradação do microcateter e eventos tromboembólicos.
Como evitar: padronizar no carrinho apenas microcateteres compatíveis com DMSO para uso neurovascular/periférico.

2) Subestimar a importância do controle fluoroscópico contínuo

Risco: injeção sem visualização adequada aumenta risco de embolização fora do alvo ou pressurização excessiva em caso de oclusão.
Como evitar: regra operacional: “sem visualização, sem injeção”.

3) Pressionar com força excessiva quando há resistência

Risco: ruptura do microcateter ou do vaso por superpressurização.
Como evitar: treinar “parar–investigar–trocar” em vez de “forçar”.

4) Pausar por tempo demais e reiniciar

Risco: solidificação do PHIL na ponta do microcateter e oclusão.
Como evitar: alinhar tempo máximo de pausa (até 3 min) e estratégia de retomada.

5) Refluxo acima do recomendado

Risco: dificuldade/risco na remoção do microcateter.
Como evitar: monitorar o refluxo e manter o limite operacional (até 1 cm).

6) Armazenar fora da faixa recomendada

Risco: impacto na condição do produto e fluxo de preparo.
Como evitar: controle de temperatura e armazenamento em local seco; garantir que o produto esteja entre 19°C e 24°C antes do uso.


Checklist prático (5–9 itens) para sala, CME e gestão

  1. Conferir integridade da embalagem, esterilidade e validade antes de abrir.

  2. Confirmar se a formulação do PHIL planejada (25/30/35/LV) está alinhada ao protocolo e ao cenário do caso.

  3. Garantir disponibilidade de microcateter compatível com DMSO indicado para uso neurovascular/periférico.

  4. Preparar e purgar conexões com cuidado para evitar contato indevido com líquidos que favoreçam solidificação prematura.

  5. Administrar DMSO e PHIL conforme técnica do serviço, com atenção a risco de vasoespasmo e à necessidade de injeção lenta/controlada.

  6. Durante a injeção: fluoroscopia contínua, limite de refluxo e pausa máxima antes de reinjeção.

  7. Ao finalizar: aguardar 3 minutos e seguir técnica de retirada suave do microcateter.

  8. Em resistência ou perda de visualização: suspender, investigar causa e considerar troca do microcateter.

  9. Registrar rastreabilidade conforme rotina institucional (lote/identificação), quando aplicável.


Quando envolver o time / quando pedir orientação

  • Médico responsável (neurointervenção/endovascular): definição da estratégia, seleção da formulação e técnica (incluindo paragem do fluxo quando indicada).

  • Enfermagem da hemodinâmica/sala endovascular: preparo do sistema, controle de conexões, monitorização de pausas, refluxo e suporte de segurança durante a injeção.

  • CME e Qualidade: padronização de abertura estéril, armazenamento, controle de validade e rastreabilidade do material.

  • Gestão de risco/engenharia clínica: revisão de incidentes, ruptura de microcateter, dificuldade de retirada/aprisionamento e atualização de protocolos.

  • Treinamento do fabricante/representante, conforme política institucional: quando houver onboarding de equipe, mudança de protocolo, dúvidas de compatibilidade ou necessidade de reciclagem.


FAQ

1) O PHIL é “adesivo” ou “não aderente”?

O PHIL é descrito como um agente embolizante líquido não aderente. Na prática, isso influencia o comportamento do material durante a injeção e o manuseio do microcateter, mas não elimina a necessidade de técnica adequada e controle fluoroscópico contínuo.

2) Em quais tipos de lesões o PHIL pode ser utilizado?

O PHIL é destinado ao uso na embolização de lesões neurovasculares e na vasculatura periférica, incluindo más-formações arteriovenosas e tumores hipervascularizados. A indicação final depende do julgamento clínico e dos protocolos institucionais.

3) Qual é a diferença entre PHIL 25%, 30%, 35% e PHIL LV?

As formulações variam em viscosidade e comportamento de penetração. Em geral, PHIL 25% e PHIL LV tendem a deslocar-se mais distalmente; PHIL 30% e 35% são recomendados para cenários de fluxo moderado/alto, com 35% voltado a fluxo mais elevado e componentes fistulosos maiores. PHIL LV costuma ser associado a técnica de paragem do fluxo para maior controle.

4) Por que a compatibilidade com DMSO é tão importante?

O PHIL é um copolímero dissolvido em DMSO. A documentação do produto orienta o uso de microcateteres compatíveis com DMSO, pois materiais não compatíveis podem degradar e aumentar risco de eventos tromboembólicos, além de comprometer o procedimento.

5) Quanto tempo o PHIL leva para “solidificar”?

A solidificação final do PHIL ocorre em três minutos, em todas as formulações. Esse tempo aparece em orientações de segurança, especialmente na etapa de aguardar antes de tracionar o microcateter após a injeção.

6) O que fazer se houver aumento de resistência durante a injeção?

A orientação é suspender a injeção, identificar a causa (por exemplo, oclusão do lúmen do microcateter) e trocar o microcateter se necessário. Não é recomendado “forçar” a injeção, pois pressão excessiva pode causar ruptura do microcateter ou do vaso.

7) Por que existe um limite para refluxo na ponta do microcateter?

O refluxo excessivo pode dificultar a remoção do microcateter. A orientação operacional é não permitir que mais de 1 cm de PHIL tenha fluxo retrógrado na ponta. Na prática, isso reforça a importância de monitorização contínua e técnica cuidadosa.

8) Há cuidados especiais com armazenamento antes do uso?

Sim. O produto deve ser armazenado em ambiente com temperatura controlada e local seco, mantendo-se entre 19°C e 24°C antes do uso. Caso congele por exposição a baixa temperatura, deve ser descongelado à temperatura ambiente antes da utilização.


Glossário e aviso de responsabilidade

Glossário (termos-chave)

  • Agente embolizante líquido: material injetável usado para ocluir seletivamente vasos relacionados à lesão-alvo.

  • DMSO (dimetilsulfóxido): solvente do PHIL; exige compatibilidade de microcateter e técnica de injeção cuidadosa.

  • Radiopacidade: capacidade de ser visualizado sob fluoroscopia; no PHIL, associada a componente de iodo ligado ao copolímero.

  • Nidus: região central/complexa de uma malformação vascular onde convergem vasos anômalos.

  • Embolização não alvo: oclusão inadvertida de vasos fora do território pretendido.

  • Refluxo: retorno do material na direção proximal ao invés de avançar distalmente; pode aprisionar microcateter.

  • Paragem do fluxo: técnica para reduzir fluxo e aumentar controle da injeção (ex.: com cateter-balão), especialmente relevante em baixa viscosidade.

Aviso de responsabilidade: Conteúdo educacional. Protocolos variam entre instituições e casos. Este material não substitui orientação clínica, treinamento do fabricante/representante nem diretrizes internas do serviço.

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