19 nov Sistema embólico líquido PHIL: tudo sobre o produto
O sistema embólico líquido PHIL é um agente embolizante líquido não aderente, indicado para embolização de lesões neurovasculares e também na vasculatura periférica, incluindo más-formações arteriovenosas e tumores hipervascularizados. Ele é administrado por injeção lenta e controlada através de um microcateter compatível com DMSO, sob controle fluoroscópico. Como o produto possui diferentes formulações (PHIL 25%, 30%, 35% e PHIL LV), entender como funciona, quando considerar cada versão e quais cuidados de segurança entram no checklist do hospital ajuda a padronizar o processo e reduzir riscos operacionais.
O que é o sistema embólico líquido PHIL e para que serve
O PHIL é um agente embolizante líquido composto por um copolímero dissolvido em DMSO (dimetilsulfóxido). Um componente de iodo ligado quimicamente ao copolímero confere radiopacidade para visualização durante a fluoroscopia.
Indicações de uso (visão geral):
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Embolização de lesões neurovasculares e na vasculatura periférica.
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Uso em casos que incluem más-formações arteriovenosas e tumores hipervascularizados.
Em termos práticos para o hospital, o PHIL faz parte do conjunto de soluções endovasculares usadas quando a estratégia terapêutica envolve oclusão/embolização seletiva de vasos relacionados à lesão-alvo — sempre dentro de protocolos institucionais e decisão clínica do time responsável.
Como o PHIL funciona
O PHIL é administrado por injeção lenta e controlada através de microcateter, com acompanhamento fluoroscópico. O DMSO (solvente) se dissipa no sangue, levando o copolímero a precipitar in situ, formando um êmbolo coeso.
Um ponto relevante para quem organiza processos e treinamento é o tempo de solidificação: a solidificação final do material ocorre em três minutos, em todas as formulações do produto. Isso influencia:
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o ritmo de injeção,
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a gestão de pausas,
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e a estratégia de retirada do microcateter após o término.
Formulações do PHIL (25/30/35/LV) e como pensar a escolha
O sistema está disponível em PHIL 35%, PHIL 30%, PHIL 25% e PHIL LV (baixa viscosidade). A diferença de viscosidade impacta a capacidade de penetração distal e o controle da injeção.
Recomendações de uso por cenário (visão orientativa do produto)
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PHIL 35%: recomendado para cenários de fluxo mais elevado e componentes fistulosos maiores.
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PHIL 30%: recomendado para fluxo moderado a elevado, especialmente quando injeções pediculares são feitas próximo ao nidus.
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PHIL 25%: recomendado para fluxo mais baixo e quando é necessária uma deslocação mais distal.
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PHIL LV: recomendado para alcançar vasos distais e penetrar mais profundamente no nidus/má-formação; por ser menos viscoso, recomenda-se o uso de técnica de paragem do fluxo (por exemplo, com cateter de balão) para aumentar o controle da administração.
Quando isso importa na prática
No dia a dia da sala (hemodinâmica/sala endovascular), a “diferença entre versões” vira decisões operacionais como:
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Quão previsível é o avanço distal do material (especialmente em anatomias complexas).
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Quão necessário é associar técnica de paragem do fluxo (particularmente com formulações de baixa viscosidade).
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Como evitar embolização não alvo, que pode estar relacionada à dinâmica de fluxo e à colocação do microcateter.
A mensagem central para TOFU é simples: a formulação conversa com o cenário de fluxo e com a estratégia de controle da injeção, e isso precisa estar alinhado entre médico, enfermagem e suporte técnico do serviço.
O que vem no sistema e compatibilidades importantes (para CME e sala)
O PHIL é apresentado como sistema com seringas pré-cheias e acessórios, variando conforme o modelo. Em linhas gerais, podem existir configurações com:
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Seringa pré-cheia de PHIL (1 ml)
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Seringa pré-cheia de DMSO (1 ml) (em apresentações específicas)
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Adaptador(es) para microcateter (para fazer a interface entre seringa e microcateter)
Além disso, o produto depende de um componente que costuma estar fora da caixa do PHIL, mas é decisivo para o processo: um microcateter compatível com DMSO, indicado para uso neurovascular ou periférico, para alcançar o local-alvo.
Pontos práticos de compatibilidade e materiais:
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Usar apenas microcateteres compatíveis com DMSO indicados para uso neurovascular ou na vasculatura periférica.
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Usar as seringas pré-cheias apropriadas para injetar DMSO e PHIL, conforme configuração do sistema.
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O PHIL é descrito como estéril e apiro-gênico, de uso único (não reutilizar, não reprocessar, não reesterilizar).
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O produto não é fabricado com látex de borracha natural, PVC ou DEHP.
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O PHIL é descrito como seguro para RM nas condições indicadas na documentação do produto.
Link técnico do fabricante (1 link): para informações oficiais e atualizadas, consulte as especificações do fabricante aqui: https://www.microvention.com/
Segurança e boas práticas de preparo e injeção no hospital
A embolização para ocluir vasos sanguíneos é descrita como procedimento de alto risco, e o PHIL deve ser utilizado por médicos com formação em intervenções periféricas ou neurológicas e conhecimento profundo de patologia/arquitetura vascular, técnicas angiográficas e de embolização superseletiva.
Contraindicações e quando evitar
O uso é contraindicado, por exemplo, em situações como:
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alergia grave ao iodo;
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impossibilidade de colocação ideal do microcateter;
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teste de provocação indicando intolerância ao procedimento de oclusão;
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vasoespasmo bloqueando o fluxo sanguíneo;
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recém-nascidos prematuros (< 1,5 kg) ou indivíduos com comprometimento hepático e renal significativo.
Precauções que valem para protocolo institucional
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A segurança/eficácia não foram estudadas em algumas populações específicas (ex.: gestantes/lactantes, menores de 18 anos).
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Pode haver hipersensibilidade tópica/liberação de histaminas associadas ao DMSO.
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O paciente pode relatar gosto de “alho” e odor no hálito/pele por algumas horas (efeito associado ao DMSO).
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Deve-se ter cuidado para evitar embolização fora do alvo, especialmente em cenários de alto fluxo que impeçam colocação segura do agente.
Alertas operacionais durante a injeção (o “coração” do treinamento)
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Posicionar a ponta do microcateter o mais distal e próximo possível da lesão-alvo para reduzir risco de embolização não alvo.
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Evitar contato do conector com líquidos (salina, sangue, contraste), pois pode ocorrer solidificação prematura.
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Evitar injeção rápida de DMSO, pois pode levar a vasoespasmo e/ou angionecrose.
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Monitorar continuamente sob fluoroscopia: suspender se não for possível visualizar o PHIL saindo da ponta do microcateter.
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Suspender se houver aumento de resistência; identificar a causa (por exemplo, oclusão do lúmen) e trocar microcateter se necessário.
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Evitar refluxo excessivo: não permitir que mais de 1 cm do PHIL tenha fluxo retrógrado na ponta do microcateter.
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Evitar pausas prolongadas: não interromper a injeção por mais de três minutos antes de reiniciar, para reduzir risco de solidificação na ponta e oclusão.
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Ao concluir a injeção, aguardar três minutos, aspirar ligeiramente a seringa e puxar suavemente o microcateter para separá-lo do molde.
Erros comuns e como evitar
1) Usar microcateter não compatível com DMSO
Risco: degradação do microcateter e eventos tromboembólicos.
Como evitar: padronizar no carrinho apenas microcateteres compatíveis com DMSO para uso neurovascular/periférico.
2) Subestimar a importância do controle fluoroscópico contínuo
Risco: injeção sem visualização adequada aumenta risco de embolização fora do alvo ou pressurização excessiva em caso de oclusão.
Como evitar: regra operacional: “sem visualização, sem injeção”.
3) Pressionar com força excessiva quando há resistência
Risco: ruptura do microcateter ou do vaso por superpressurização.
Como evitar: treinar “parar–investigar–trocar” em vez de “forçar”.
4) Pausar por tempo demais e reiniciar
Risco: solidificação do PHIL na ponta do microcateter e oclusão.
Como evitar: alinhar tempo máximo de pausa (até 3 min) e estratégia de retomada.
5) Refluxo acima do recomendado
Risco: dificuldade/risco na remoção do microcateter.
Como evitar: monitorar o refluxo e manter o limite operacional (até 1 cm).
6) Armazenar fora da faixa recomendada
Risco: impacto na condição do produto e fluxo de preparo.
Como evitar: controle de temperatura e armazenamento em local seco; garantir que o produto esteja entre 19°C e 24°C antes do uso.
Checklist prático (5–9 itens) para sala, CME e gestão
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Conferir integridade da embalagem, esterilidade e validade antes de abrir.
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Confirmar se a formulação do PHIL planejada (25/30/35/LV) está alinhada ao protocolo e ao cenário do caso.
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Garantir disponibilidade de microcateter compatível com DMSO indicado para uso neurovascular/periférico.
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Preparar e purgar conexões com cuidado para evitar contato indevido com líquidos que favoreçam solidificação prematura.
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Administrar DMSO e PHIL conforme técnica do serviço, com atenção a risco de vasoespasmo e à necessidade de injeção lenta/controlada.
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Durante a injeção: fluoroscopia contínua, limite de refluxo e pausa máxima antes de reinjeção.
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Ao finalizar: aguardar 3 minutos e seguir técnica de retirada suave do microcateter.
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Em resistência ou perda de visualização: suspender, investigar causa e considerar troca do microcateter.
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Registrar rastreabilidade conforme rotina institucional (lote/identificação), quando aplicável.
Quando envolver o time / quando pedir orientação
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Médico responsável (neurointervenção/endovascular): definição da estratégia, seleção da formulação e técnica (incluindo paragem do fluxo quando indicada).
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Enfermagem da hemodinâmica/sala endovascular: preparo do sistema, controle de conexões, monitorização de pausas, refluxo e suporte de segurança durante a injeção.
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CME e Qualidade: padronização de abertura estéril, armazenamento, controle de validade e rastreabilidade do material.
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Gestão de risco/engenharia clínica: revisão de incidentes, ruptura de microcateter, dificuldade de retirada/aprisionamento e atualização de protocolos.
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Treinamento do fabricante/representante, conforme política institucional: quando houver onboarding de equipe, mudança de protocolo, dúvidas de compatibilidade ou necessidade de reciclagem.
FAQ
1) O PHIL é “adesivo” ou “não aderente”?
O PHIL é descrito como um agente embolizante líquido não aderente. Na prática, isso influencia o comportamento do material durante a injeção e o manuseio do microcateter, mas não elimina a necessidade de técnica adequada e controle fluoroscópico contínuo.
2) Em quais tipos de lesões o PHIL pode ser utilizado?
O PHIL é destinado ao uso na embolização de lesões neurovasculares e na vasculatura periférica, incluindo más-formações arteriovenosas e tumores hipervascularizados. A indicação final depende do julgamento clínico e dos protocolos institucionais.
3) Qual é a diferença entre PHIL 25%, 30%, 35% e PHIL LV?
As formulações variam em viscosidade e comportamento de penetração. Em geral, PHIL 25% e PHIL LV tendem a deslocar-se mais distalmente; PHIL 30% e 35% são recomendados para cenários de fluxo moderado/alto, com 35% voltado a fluxo mais elevado e componentes fistulosos maiores. PHIL LV costuma ser associado a técnica de paragem do fluxo para maior controle.
4) Por que a compatibilidade com DMSO é tão importante?
O PHIL é um copolímero dissolvido em DMSO. A documentação do produto orienta o uso de microcateteres compatíveis com DMSO, pois materiais não compatíveis podem degradar e aumentar risco de eventos tromboembólicos, além de comprometer o procedimento.
5) Quanto tempo o PHIL leva para “solidificar”?
A solidificação final do PHIL ocorre em três minutos, em todas as formulações. Esse tempo aparece em orientações de segurança, especialmente na etapa de aguardar antes de tracionar o microcateter após a injeção.
6) O que fazer se houver aumento de resistência durante a injeção?
A orientação é suspender a injeção, identificar a causa (por exemplo, oclusão do lúmen do microcateter) e trocar o microcateter se necessário. Não é recomendado “forçar” a injeção, pois pressão excessiva pode causar ruptura do microcateter ou do vaso.
7) Por que existe um limite para refluxo na ponta do microcateter?
O refluxo excessivo pode dificultar a remoção do microcateter. A orientação operacional é não permitir que mais de 1 cm de PHIL tenha fluxo retrógrado na ponta. Na prática, isso reforça a importância de monitorização contínua e técnica cuidadosa.
8) Há cuidados especiais com armazenamento antes do uso?
Sim. O produto deve ser armazenado em ambiente com temperatura controlada e local seco, mantendo-se entre 19°C e 24°C antes do uso. Caso congele por exposição a baixa temperatura, deve ser descongelado à temperatura ambiente antes da utilização.
Glossário e aviso de responsabilidade
Glossário (termos-chave)
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Agente embolizante líquido: material injetável usado para ocluir seletivamente vasos relacionados à lesão-alvo.
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DMSO (dimetilsulfóxido): solvente do PHIL; exige compatibilidade de microcateter e técnica de injeção cuidadosa.
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Radiopacidade: capacidade de ser visualizado sob fluoroscopia; no PHIL, associada a componente de iodo ligado ao copolímero.
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Nidus: região central/complexa de uma malformação vascular onde convergem vasos anômalos.
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Embolização não alvo: oclusão inadvertida de vasos fora do território pretendido.
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Refluxo: retorno do material na direção proximal ao invés de avançar distalmente; pode aprisionar microcateter.
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Paragem do fluxo: técnica para reduzir fluxo e aumentar controle da injeção (ex.: com cateter-balão), especialmente relevante em baixa viscosidade.
Aviso de responsabilidade: Conteúdo educacional. Protocolos variam entre instituições e casos. Este material não substitui orientação clínica, treinamento do fabricante/representante nem diretrizes internas do serviço.
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