20 ago Balão Scepter: casos de uso mais indicados no hospital e no centro cirúrgico
A escolha de um cateter-balão não começa no catálogo — começa no objetivo clínico e no que o procedimento pede de controle. O Balão Scepter (cateter-balão oclusor de duplo lúmen) foi desenvolvido para situações em que se deseja oclusão vascular temporária e, em contextos específicos, apoio à embolização e infusão de agentes em território periférico e neurovascular, sempre com visualização fluoroscópica. Neste artigo, você vai entender quais são os casos de uso mais indicados, quais cuidados normalmente fazem diferença na rotina e como evitar erros comuns de preparo e manuseio.
Resumo em 30 segundos (extraível)
O Balão Scepter é um cateter-balão oclusor de duplo lúmen: um lúmen dedicado ao balão (inflação/deflação) e outro lúmen de trabalho (fio-guia/infusão).
Principais usos: oclusão temporária, balloon test occlusion, remodelamento de aneurisma, apoio à injeção de embólicos líquidos e, em cenários específicos, entrega de stent sem troca de cateter.
Pontos críticos de segurança: compatibilidade com o vaso, não exceder volumes recomendados, remoção de ar, não inflar com ar/gás no corpo, e inflar/deflacionar sob fluoroscopia.
O que é o Balão Scepter
O Balão Scepter é um cateter-balão oclusor de duplo lúmen com revestimento hidrofílico externo. Em termos simples: ele combina, no mesmo dispositivo, um canal exclusivo para encher e esvaziar o balão e um canal independente de trabalho, que pode ser usado com fio-guia e/ou para liberação/infusão de agentes compatíveis com o diâmetro interno do cateter.
Na prática, esse desenho de duplo lúmen ajuda a separar funções: você controla o balão sem “competir” com o lúmen de trabalho, e isso pode ser útil quando o procedimento exige alternar entre navegação, posicionamento, oclusão e infusão com previsibilidade.
Para que serve: quando a oclusão temporária entra em cena
A oclusão temporária é desejada quando a equipe precisa interromper ou controlar seletivamente o fluxo sanguíneo por um período curto, com intenção de proteger o território, facilitar etapas técnicas e reduzir variáveis durante o procedimento.
De forma geral, o uso do Balão Scepter é associado a cenários como:
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controle temporário de fluxo em vasculatura periférica e neurovascular;
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apoio a técnicas de embolização assistida por balão em aneurismas intracranianos;
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infusão de agentes diagnósticos (ex.: meios de contraste) e terapêuticos (ex.: materiais de embolização) em territórios compatíveis e conforme protocolos institucionais.
Importante: o dispositivo não é destinado a embolectomias ou angioplastia, não é destinado a uso em vasos coronários, e não é destinado a uso pediátrico/neonatal.
Casos de uso mais indicados (os 4 cenários clássicos)
A seguir, os casos de uso mais comuns quando se fala em Balão Scepter. Pense neles como “famílias de aplicação”, cada uma com objetivos e cuidados próprios.
1) Oclusão temporária para controle seletivo de fluxo
Quando é mais indicado:
Quando o procedimento exige uma janela curta de redução ou interrupção de fluxo para aumentar o controle da etapa seguinte (por exemplo, estabilizar o campo hemodinâmico local, reduzir passagem de contraste/agentes para fora do alvo ou permitir manobras com maior previsibilidade).
O que costuma importar aqui:
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dimensionamento do balão em relação ao vaso (evitando sub ou superdimensionamento);
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confirmação fluoroscópica durante inflação/deflação;
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evitar pressurização inadequada e excesso de volume.
2) Balloon Test Occlusion (BTO) / teste de oclusão com balão
Quando é mais indicado:
Em protocolos em que se realiza teste de oclusão temporária para avaliar tolerância/colaterais e apoiar tomada de decisão do time, sempre dentro das diretrizes do serviço e com monitorização apropriada.
O que costuma importar aqui:
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previsibilidade de insuflação e deflação;
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manter o balão completamente livre de ar para não comprometer visualização;
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alinhamento fino entre equipe médica, enfermagem e hemodinâmica quanto a tempos, sinais e critérios do protocolo local.
3) Balloon remodeling em aneurismas intracranianos (embolização assistida por balão)
Quando é mais indicado:
Quando a técnica prevê uso do balão como suporte temporário (um “remodelamento”) para ajudar na conformação e no controle do colo durante etapas de embolização assistida por balão.
O que costuma importar aqui:
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estabilidade e navegabilidade em anatomias tortuosas (e o papel do revestimento hidrofílico na navegação);
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coordenação do momento de insuflação/deflação com as etapas do procedimento;
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evitar inflar acima do recomendado e sempre acompanhar sob fluoroscopia.
4) Apoio à injeção de embólicos líquidos (redução de refluxo e controle de fluxo)
Quando é mais indicado:
Quando o objetivo é usar o balão para criar um back stop/ponto de apoio e reduzir o fluxo, ajudando a limitar refluxo durante injeção de embólicos líquidos compatíveis, seguindo as instruções de uso do material terapêutico e o protocolo do serviço.
O que costuma importar aqui:
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compatibilidade do cateter-balão com DMSO e com materiais compatíveis ao lúmen interno;
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atenção a incompatibilidades específicas (há agentes/soluções que não devem ser usados com o balão);
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controle rigoroso de preparo, remoção de ar e monitorização fluoroscópica.
Link do fabricante (para especificações): consulte as especificações do fabricante aqui
Como o dispositivo se encaixa na rotina: pontos de compatibilidade e operação
Sem entrar em “passo a passo” clínico, alguns pontos operacionais ajudam a equipe a reconhecer quando o Scepter faz sentido e como preparar o ambiente para uso seguro:
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Duplo lúmen (inflação e trabalho): um lúmen é exclusivo para encher/esvaziar o balão; o outro é destinado ao fio-guia e/ou infusão/liberação de agentes.
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Compatibilidade com fio-guia: o lúmen de trabalho é compatível com fios-guia de 0,014″ (0,36 mm) ou menores.
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Revestimento hidrofílico: contribui para reduzir fricção e apoiar navegação, especialmente em vasos tortuosos — desde que se mantenha a lubrificação adequada (sem deixar o revestimento ressecar).
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Pressão e limites do sistema: pressões excessivas (acima de 700 psi / 47,6 atm) podem causar danos ao cateter/ruptura do sistema.
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Fluoroscopia como regra de segurança: inflação e deflação devem ser feitas com visualização fluoroscópica para conferir posicionamento e segurança do paciente.
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Mistura contraste/salina e tempos: viscosidade e concentração do contraste influenciam tempos de enchimento/esvaziamento. Isso impacta ritmo de procedimento e coordenação da equipe.
Quando isso importa na prática (dia a dia de hospital / centro cirúrgico)
É comum que a “diferença” entre um procedimento fluido e um procedimento estressante não esteja na etapa principal — e sim nos detalhes que antecedem o momento crítico.
Alguns exemplos de onde o Balão Scepter costuma “pedir atenção” no dia a dia:
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Transição entre etapas sem perder controle: em cenários em que você alterna navegação, oclusão e infusão, o duplo lúmen pode reduzir trocas desnecessárias, desde que a equipe esteja treinada no fluxo.
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Preparo e remoção de ar: a presença de ar pode atrapalhar a visualização fluoroscópica e afetar a previsibilidade. Manter a ponta distal submersa ao esvaziar, e seguir as orientações de preparo, costuma ser decisivo.
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Integração com hemostática rotativa (VHR): apertos excessivos podem retardar enchimento/deflação. Ajuste fino e comunicação clara entre operador e assistência fazem diferença.
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Gestão de materiais (CME / enfermagem / suprimentos): por ser dispositivo de uso único, estéril, e com necessidades de rastreabilidade conforme política institucional, o alinhamento com CME e cadeia de suprimentos evita atrasos e improvisos.
Erros comuns e como evitar
Abaixo, erros recorrentes (e evitáveis) que aparecem na prática — especialmente em ambientes com alta rotatividade de equipe.
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Escolher o balão sem confirmar o tamanho do vaso
Como evitar: checar o dimensionamento sob fluoroscopia e garantir compatibilidade entre vaso e balão. -
Exceder volume recomendado de enchimento
Como evitar: respeitar volumes/diâmetros nominais e referência de complacência; excesso pode levar a ruptura. -
Inflar com ar/gás no interior do corpo
Como evitar: nunca encher com ar/gás intracorpóreo; garantir preparo adequado com solução apropriada. -
Não remover totalmente o ar do sistema
Como evitar: seguir técnica de remoção de ar, evitar esvaziar com ponta fora de solução e inspecionar o balão para bolhas/irregularidades. -
Conectar dispositivo de alta pressão na porta de enchimento
Como evitar: não usar dispositivos de alta pressão na porta de enchimento do balão. -
Apertar demais a VHR ao redor do cateter
Como evitar: ajuste suficiente para evitar vazamento, mantendo avanço e evitando retardos de inflação/deflação. -
Avançar contra resistência
Como evitar: se houver resistência, não forçar; avaliar a causa por fluoroscopia antes de prosseguir. -
Usar agentes incompatíveis com o balão
Como evitar: confirmar compatibilidade do embólico/solvente com o balão e com o lúmen interno; há materiais que não são compatíveis.
Checklist prático (para equipe e rotina)
Use este checklist como apoio rápido (adapte ao protocolo do seu serviço):
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Confirmar indicação e território (periférico/neurovascular) conforme protocolo local.
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Verificar integridade da embalagem estéril e validade; não usar se violada/danificada.
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Selecionar modelo/tamanho considerando anatomia e vaso (confirmar por fluoroscopia).
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Garantir compatibilidade com fio-guia 0,014″ (ou menor) e com cateter-guia/dispositivos do set.
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Realizar lubrificação do segmento hidrofílico e evitar que o revestimento resseque.
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Preparar solução e executar remoção de ar (inspecionar bolhas/irregularidades antes do uso).
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Inflar/deflacionar sob fluoroscopia e respeitar limites de pressão/volume recomendados.
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Evitar conexões inadequadas (ex.: alta pressão na porta de enchimento) e não inflar com ar/gás intracorpóreo.
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Ao final, confirmar deflação completa antes de retirar e descartar como uso único conforme normas institucionais.
Quando envolver o time / quando pedir orientação
Alguns sinais de que vale “chamar mais gente para a sala” (ou pausar e alinhar) antes de seguir:
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Dúvida de compatibilidade entre o cateter-balão e o agente terapêutico/diagnóstico planejado (especialmente quando há solventes/embólicos envolvidos).
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Necessidade de alinhamento de protocolo para balloon test occlusion, remodelamento ou embolização assistida.
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Resistência ao avanço do dispositivo, tortuosidade importante ou dificuldade de navegação que exija replanejamento.
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Qualquer suspeita de bolhas de ar, irregularidades do balão, vazamentos ou dano ao dispositivo.
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Questões de rastreabilidade, armazenamento e fluxo de materiais (CME/gestão de suprimentos) que possam impactar segurança e conformidade do processo.
FAQ (perguntas frequentes)
1) O Balão Scepter é um balão de angioplastia?
Não. Ele é um cateter-balão oclusor destinado a oclusão temporária e a aplicações específicas de suporte em procedimentos periféricos e neurovasculares. Não é destinado a embolectomia nem a procedimentos de angioplastia.
2) Em quais territórios o Balão Scepter é usado?
Ele é indicado para uso em vasculatura periférica e neurovascular quando se deseja oclusão temporária. Em contextos definidos por protocolo, também pode apoiar embolização assistida por balão e infusões de agentes compatíveis.
3) Quais são os principais “casos de uso” na prática?
De forma geral: oclusão temporária para controle de fluxo, balloon test occlusion, balloon remodeling em aneurismas intracranianos e apoio à injeção de embólicos líquidos com redução de fluxo/limitação de refluxo, quando compatível e indicado.
4) O que significa dizer que o cateter é “de duplo lúmen”?
Significa que há dois canais independentes: um exclusivo para inflação/deflação do balão e outro de trabalho (fio-guia/infusão). Isso ajuda a separar o controle do balão das demais manobras do procedimento.
5) Por que a remoção de ar é tão crítica?
Porque a presença de ar pode prejudicar a visualização fluoroscópica e afetar a previsibilidade do enchimento/deflação. Além disso, preparo inadequado pode introduzir ar no sistema, o que não é desejável em um dispositivo que depende de controle fino.
6) O que pode atrasar a inflação ou a deflação do balão?
Entre os fatores comuns: viscosidade e concentração da mistura de contraste/salina, além de questões mecânicas como aperto excessivo da VHR. Por isso, é importante seguir preparo e ajustes conforme a rotina do serviço.
7) O dispositivo pode ser reprocessado?
Não. O Balão Scepter é destinado a uso único. Reutilização/reprocessamento não é recomendado e deve seguir as normas institucionais vigentes (em geral, é proibido para esse tipo de dispositivo).
8) Há algo que eu não devo conectar na porta de enchimento?
Sim. Evite conectar dispositivos de alta pressão na porta de enchimento, pois isso pode causar ruptura do balão. O controle deve seguir o conjunto e acessórios previstos para o uso do cateter-balão.
9) Existem materiais/soluções que não são compatíveis?
Sim, há incompatibilidades específicas. Por isso, antes de usar qualquer agente, confirme a compatibilidade com o cateter-balão e siga as instruções do agente terapêutico/diagnóstico e o protocolo do serviço.
Glossário (termos rápidos)
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Oclusão temporária: interrupção ou redução momentânea do fluxo sanguíneo em um vaso.
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Balloon test occlusion (BTO): teste com oclusão temporária para avaliar tolerância/colateralidade conforme protocolo.
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Remodelamento com balão: uso do balão como suporte temporário em etapas de tratamento (ex.: aneurisma) para ajudar na conformação do colo.
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Duplo lúmen: dois canais independentes no mesmo cateter (inflação do balão + lúmen de trabalho).
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VHR (válvula hemostática rotativa): acessório que ajuda a controlar vazamento, mantendo passagem do dispositivo.
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Fluoroscopia: método de imagem em tempo real usado para posicionamento e segurança durante procedimentos endovasculares.
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Complacência do balão: relação entre volume de enchimento e diâmetro resultante do balão.
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DMSO: solvente utilizado com alguns embólicos líquidos; compatibilidade deve ser respeitada.
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Marcadores radiopacos: marcas no dispositivo que facilitam visualização e posicionamento em fluoroscopia.
Aviso de responsabilidade
Este conteúdo é educacional e não substitui orientação clínica, treinamento do fabricante, nem protocolos institucionais. Indicações, técnicas e parâmetros variam conforme o serviço, o paciente e o material utilizado. Em caso de dúvida, envolva o time responsável e siga as instruções de uso e rotinas aprovadas pela instituição.
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